O dia em que entendi os Salmos de Davi na pele
Acabei ficando meio gripada nesse período festivo e estava um pouco "derrubada", talvez por causa do remédio ou só o cansaço que a gripe dá mesmo. Mas eu não estava triste, só indisposta.
Então eu fui tomar um banho antes de dormir, e, assim que saí do banheiro, eu comecei a chorar. A chorar desesperadamente. Não parava de soluçar. Eu não sei exatamente o motivo (estava pensando em muitas coisas), mas eu senti uma tristeza enorme, que eu acho que nunca tinha sentido algo semelhante antes (e olha que já fiquei triste por vários motivos, às vezes até maiores, e não se compara ao que senti nesse dia).
Foi uma tristeza mortal e eu não sabia a causa. Então, o que eu fiz?
Eu peguei um caderno que deixo do lado da minha cama, abri e, em meio a soluços e lágrimas, comecei a escrever uma oração (algo que já costumo fazer), só que ela saiu em forma poética, como os salmos de Davi. Escrevi tudo sem óculos enquanto chorava, soluçava e tossia.
Chegou um momento em que o choro acabou. Meus olhos estavam secos, eu não estava mais soluçando e eu não estava mais triste. De repente eu senti... Paz.
Uma curiosidade sobre mim é que chorar é horrível para mim. Eu normalmente não consigo chorar, e, se acabar chorando, ele demora muito para acabar e, no fim, acaba me deixando doente e mais triste ainda, então eu evito. Nunca tinha acontecido de chorar e não “sufocar” nas minhas lágrimas, muito menos de ficar em paz quando o choro passasse.
Nesse estado de paz, eu concluí o poema, transbordando tranquilidade que minutos antes eu não sentia (e a transição fica perceptível no texto). E, depois que li o que tinha escrito, percebi que era semelhante ao que Davi escrevia. Senti-me preenchida, sabendo que o mesmo Deus que amava Davi também me amava do mesmo jeito.
Sempre tive certeza disso, mas viver na pele é muito diferente.
O Deus que amava tanto o rei Davi, também ama você. E te ama tanto que veio ao mundo como homem só para morrer por você, para que você não tivesse que morrer pelos seus pecados ou sucumbir pela sua tristeza.
Hoje é véspera de Natal e, sinceramente, ainda não sei por que tudo isso aconteceu, ou qual foi o motivo da minha tristeza. Mas o Senhor acalmou meu coração e quis que eu compartilhasse isso.
Boas festas a todos, e que Deus os abençoe!
[Aqui está o poema escrito por mim naquele momento.]
Pai, minha alma se despedaçou. Minhas lágrimas caem como estilhaços de meus olhos. Eu tenho tanto medo, medo de que me ouçam, medo de que me vejam em prantos, perguntando qual a causa, que nem eu mesma consigo explicar. Por quê, Pai? Por que esse sofrimento? Meu peito dói e meus soluços me engasgam. Ainda assim, quero te louvar, porque na minha tristeza só pensei em ir até Ti. Me sinto só nesse mundo, mesmo que não esteja. Tenho pessoas comigo, mas só posso recorrer a Ti, que conhece a causa dos meus estilhaços, mesmo que eu não saiba. Pai, vem até mim, porque só a Tua presença pode acalmar esse coração. Enxuga as minhas lágrimas, faz cessar esse medo. O Senhor sofreu para que eu pudesse viver, mas o que fazer quando parece que minhas forças cessaram?
E então, sinto minhas lágrimas secando. Os estilhaços sumiram e não mais machucam meu peito, porque um dia, esses mesmos estilhaços feriram o seu corpo para que não destruíssem o meu. Agora minha alma se alegra E não chora mais de tristeza, porque o meu Abba vive E está comigo, mesmo na solidão ou nas lágrimas sem razão. Obrigada, Abba. Obrigada, meu Pai.
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