O ego não vai me fazer vender mais livros
Já publico de forma independente há três anos, e o caminho passou longe de ser linear. Comecei apenas com os livros físicos e só depois migrei para o digital. Nos meus últimos lançamentos, decidi fazer as duas versões de forma simultânea. Mas a verdade é que, sempre que um livro novo entrava na reta final, um mesmo pensamento me assombrava: produzir o físico não está se pagando, vou focar apenas no digital desta vez.
No entanto, eu sempre me deixava convencer — pelo meu ego e por terceiros — de que o livro físico era um investimento indispensável. Afinal, "existem leitores que preferem o papel". Eu mesma amo segurar uma obra minha em mãos. O problema é que esse ciclo se repetia a cada lançamento por uma realidade matemática implacável: o físico não se paga. E não é por falta de interesse dos leitores, é uma questão de atrito.
O papel encareceu drasticamente, inflacionando o custo de impressão. Meus livros, em sua maioria, têm um projeto gráfico simples e poucas páginas. Ainda assim, o menor deles (com apenas 92 páginas) não sai por menos de R$ 50 para o consumidor final. Livros maiores, então? O preço decola.
Como dependo de plataformas de impressão sob demanda (POD), o valor final é a soma do custo gráfico com a minha porcentagem de autora. O resultado? O custo final fica alto para o leitor e o meu retorno financeiro continua baixo. Esse preço gera um atrito enorme na hora da compra.
Pensei várias vezes em maximizar o lucro fazendo vendas diretas, mas isso exigiria investir em tiragens maiores. Gráficas tradicionais cobram caro e, para eu ter uma margem decente, meu menor livro ainda precisaria custar os mesmos R$ 50. Convenhamos: é uma máquina difícil de manter girando depois de cinco livros. Além disso, sem espaço para armazenar estoque, o processo perde o sentido: potenciais leitores me veem com o livro em mãos, mas precisam entrar em um site de POD para comprá-lo. É mais um atrito que a maioria das pessoas não está disposta a enfrentar.
A virada de chave aconteceu enquanto eu lia o edital do Prêmio Kindle de Literatura. Descobri que, durante o concurso, o livro não pode ter uma versão física, apenas eBook. Inicialmente, a regra me chateou. Depois, me trouxe uma clareza necessária.
Percebi que ouvir alguém dizer que "gostaria do livro físico" não significa que essa mesma pessoa vai abrir a carteira depois que eu fizer todo o investimento. Meus lançamentos anteriores provaram exatamente isso: quem mais compra meus livros físicos sou eu mesma, para dar de presente ou revender por conta própria. A publicação simultânea simplesmente não vale a pena.
Por isso, mesmo que, por qualquer motivo, eu acabe não me inscrevendo no prêmio da Amazon, a decisão está tomada: não farei mais lançamentos simultâneos em formato digital e físico. Ter um livro físico só porque é "bonito" ou para "deixar acessível caso alguém queira" é um investimento cansativo, imprevisível e que não me trouxe retorno significativo nos últimos três anos. É melhor focar no formato digital. O leitor que enxergar o valor da obra vai comprá-la de qualquer maneira.
Isso não significa que meus próximos livros nunca ganharão páginas impressas. Significa apenas que vocês, meus caros leitores fantasmas, vão ter que fazer muito mais barulho para que o físico exista (e me recompensar por esse barulho).
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