Dar um mês de descanso para o meu sexto livro foi a PIOR coisa que aconteceu com a minha criatividade.
Isso serve de lição para eu nunca mais considerar seguir regras relacionadas a escrita criativa.
Quando terminei de escrever meu sexto livro (vou me referir a ele como "OCS" nesse texto para facilitar), eu estava bem cansada e decidi seguir, pela primeira vez um conselho clássico que ouvi de vários escritores:
"Guarde o seu manuscrito e não olhe para ele durante um mês inteiro. Quando voltar, sua mente estará descansada e distante o suficiente da obra para fazer uma boa revisão".
Isso foi algo que eu nunca fiz com nenhum dos meus livros. Já ocorreu de ficar períodos sem escrever, mas não de guardar um rascunho pronto e deixá-lo existindo sem qualquer lapidação. Eu sempre concluía o livro, e na mesma semana iniciava as revisões para a publicação.
Mas eu resolvi seguir essa dica com OCS. Os primeiros dias sem poder mexer na obra foram um saco, mas logo eu acostumei.
Eis que esse um mês passou e eu fui reler o livro para revisar. Rapaz...
Eu reconhecia as minhas palavras, e até gostava da história, mas a minha conexão com ela tinha desaparecido completamente. Achava que isso era natural do distanciamento e do texto pouco polido que eu sabia que encontraria, mas chegou um ponto (especificamente hoje), que eu estava lendo e pensando "eu não aguento mais essa história".
E não era porque a história era ruim, longe disso! OCS foi uma das histórias que mais gostei de escrever, apesar do processo ter sido meio caótico. Era uma história que eu acreditava muito e estava guardando para inscrever no prêmio da Amazon desse ano, que até cheguei a falar algumas vezes.
O grande problema, que me fez perder o ânimo, foi esse distanciamento de um mês. Nem foi tanto tempo, mas foi o bastante para formar uma barreira extremamente desconfortável entre eu e a história e - por incrivel que pareça - me fazer perder a criatividade e a sensibilidade sobre o que melhorar na hora da edição. Tem gente que consegue fazer isso melhor quando esquece do que escreveu; eu não sou assim, e tive que passar por isso para descobrir que por mais cansativo que seja, quanto menos tempo entre o manuscrito inicial e a versão final, melhor. Para produzir uma versão final que eu realmente goste, eu preciso trabalhar nela enquanto ainda sinto a mesma paixão e obsessão que sentia pela história no momento do primeiro rascunho. E isso não vai acontecer se a obra ficar um mês ou mais longe de mim.
Por enquanto, OCS vai ficar engavetada até eu ter certeza do que farei com ela. Ainda desejo publicar a história, mas o processo para chegar em uma versão que eu realmente goste vai ter que ser reajustado até eu me sentir feliz com o que escrevi.
Isso serviu de lição para mim, e espero que possa servir para outros autores também. Só porque todo mundo faz, não quer dizer que você vai se dar bem se fizer. Como dizem as nossas mães: "você não é todo mundo."
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